Gastrostomia: O Que É e Como a Fisioterapia Atua na Reabilitação

Gastrostomia: O Que É e Como a Fisioterapia Atua na Reabilitação

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Dr. Christian Carrera

Fisioterapeuta & Responsável Técnico pela Carrera Fisioterapia Domiciliar. Profissional com mais 20 anos de atuação e mais de 20 mil atendimentos.

gastrostomia é um procedimento cirúrgico que cria um acesso direto ao estômago através da parede abdominal, geralmente para fins de alimentação ou drenagem. Trata-se de uma intervenção vital e indicada em situações em que o paciente não consegue se alimentar por via oral de forma segura ou suficiente.

Neste artigo, vamos explicar detalhadamente o que é o procedimento, suas indicações e por que a fisioterapia domiciliar tem um papel fundamental no acompanhamento desses pacientes, especialmente no contexto de desospitalização.

O que é Gastrostomia?

A gastrostomia consiste na criação de uma abertura (conhecida como estoma) na parede do abdômen, dando acesso direto ao estômago. Por essa abertura, é inserida uma sonda ou um “botão gástrico”. É por meio deste dispositivo que o paciente recebe alimentação adequada, medicamentos e hidratação quando a ingestão por via oral não é possível ou se torna perigosa (risco de broncoaspiração).

É muito importante diferenciar a gastrostomia de outros tipos de sondas de alimentação:

  • Sonda nasogástrica (SNG): passada pelo nariz até o estômago, geralmente de uso temporário.
  • Sonda nasoenteral (SNE): passada pelo nariz até o intestino delgado, também considerada uma via temporária.
  • Gastrostomia: acesso permanente ou de longo prazo, confeccionado de forma cirúrgica ou endoscópica, oferecendo mais conforto ao paciente.

Principais Indicações para a Gastrostomia

O procedimento é indicado pelos médicos em diferentes situações clínicas que comprometem gravemente a deglutição (ato de engolir) ou a nutrição do paciente:

  • Disfagia grave: dificuldade acentuada de deglutição decorrente de sequelas de AVC (Acidente Vascular Cerebral), traumatismo craniano ou doenças neuromusculares.
  • Doenças neurológicas progressivas: como Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), Esclerose Múltipla, Doença de Parkinson avançada e paralisia cerebral.
  • Neoplasias de cabeça e pescoço: quando o próprio tumor ou o tratamento oncológico agressivo impede a alimentação via oral.
  • Prematuridade grave: recém-nascidos muito prematuros que ainda não conseguem coordenar a sucção e a deglutição de forma segura.
  • Traumatismos ou queimaduras extensas: situações críticas que impedem temporária ou definitivamente o uso do trato digestivo superior.

Cuidados Essenciais Pós-Procedimento

Após a realização da gastrostomia, a transição para casa exige que o paciente e a família aprendam a cuidar do estoma e da sonda para evitar complicações. Entre os cuidados mais importantes no dia a dia, destacam-se:

  • Higienização diária e rigorosa do estoma com água e sabão neutro.
  • Observação atenta de sinais de infecção (vermelhidão, secreção purulenta, mau odor ou febre).
  • Administração correta e no ritmo adequado da dieta enteral, seguindo estritamente a prescrição do nutricionista.
  • Prevenção do deslocamento ou obstrução da sonda (lavar sempre com água filtrada após o uso).
  • Posicionamento adequado do paciente durante e após a infusão da dieta (sempre com a cabeceira elevada para evitar refluxo e aspiração).

O Papel da Fisioterapia na Reabilitação do Paciente

O fisioterapeuta é uma peça-chave na equipe multidisciplinar responsável pelo acompanhamento do paciente com gastrostomia. Sua atuação foca principalmente na reabilitação respiratória, motora e funcional. A fisioterapia domiciliar é especialmente indicada nestes casos, pois garante a continuidade do tratamento no conforto e segurança do lar, evitando idas desnecessárias a clínicas e hospitais.

Técnicas Fisioterapêuticas Utilizadas:

  • Fisioterapia Respiratória: Envolve técnicas de higiene brônquica, drenagem postural, exercícios de reexpansão pulmonar e aspiração de secreções. O objetivo principal é a prevenção de pneumonia aspirativa, que é uma complicação frequente e perigosa nestes pacientes.
  • Cinesioterapia: Aplicação de exercícios passivos, ativos-assistidos e ativos para manter a amplitude dos movimentos, prevenir a retração muscular e melhorar a força nos membros.
  • Mobilização e Posicionamento: Orientação para mudanças de decúbito (posição na cama) programadas, fundamentais para a prevenção de lesões por pressão (escaras). Além disso, o fisioterapeuta atua no posicionamento correto do tronco e cabeça durante a alimentação.
  • Reabilitação Motora Funcional: Em pacientes com potencial de recuperação, é feito um trabalho progressivo para a retomada do sentar, ficar em pé e, quando possível, o retorno da marcha (caminhada).
  • Orientação aos Cuidadores: Treinamento contínuo dos familiares e cuidadores para a execução de exercícios seguros no domicílio e a identificação rápida de sinais de alerta.

Benefícios da Fisioterapia para Pacientes com Gastrostomia

O acompanhamento regular com um fisioterapeuta especializado traz ganhos imensuráveis, tais como:

  1. Prevenção efetiva de pneumonia por aspiração e outras infecções respiratórias.
  2. Manutenção da funcionalidade do corpo e prevenção do encurtamento de tendões e músculos.
  3. Proteção da pele contra escaras através de protocolos de movimentação.
  4. Promoção de maior qualidade de vida e dignidade para o paciente.
  5. Tranquilidade e segurança para os cuidadores familiares através do suporte profissional.

Quando Procurar Atendimento Fisioterapêutico?

O acompanhamento fisioterapêutico ideal deve ser iniciado ainda no hospital e mantido no domicílio imediatamente após a alta (desospitalização). Você deve acionar um fisioterapeuta especializado com urgência se:

  • O paciente apresentar dificuldades respiratórias, “chiado” no peito ou acúmulo visível de secreções.
  • Houver sinais de rigidez nas articulações devido ao tempo na mesma posição.
  • A família se sentir insegura sobre como posicionar o paciente na cama ou na cadeira de rodas.
  • Ocorrerem mudanças bruscas no estado clínico que afetem a mobilidade.

Conclusão

A gastrostomia é um recurso médico fantástico e essencial para garantir a nutrição adequada de pacientes impossibilitados de comer pela boca. No entanto, o sucesso desse tratamento a longo prazo depende diretamente de um cuidado integral. A fisioterapia domiciliar é indispensável nessa jornada, sendo a maior aliada da família na prevenção de complicações e na busca pela melhor qualidade de vida possível para o paciente.

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